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terça-feira, 19 de abril de 2011

O que é a Cosmecêutica?



Dermatologia/Pele


O que é a Cosmecêutica?


Sinônimos e palavras relacionadas: quase fármacos, cosméticos terapêuticos, medicamentos cosméticos, tratamento ativo da pele


INTRODUÇÃO
A cosmecêutica representa um casamento entre a cosmética e a farmacêutica. Como os cosméticos, os cosmecêuticos são aplicados topicamente, mas contêm ingredientes que influenciam a função biológica da pele. A cosmecêutica melhora o aspecto, mas assim o faz levando os nutrientes necessários para a pele saudável. A cosmecêutica é o segmento de crescimento mais rápido da indústria dos cuidados pessoais naturais. Os consumidores estão sempre interessados em manter uma aparência jovem e, à medida que a idade mediana da população global aumenta, este mercado está cada vez mais em expansão.
A cosmecêutica não está sujeita a revisão pela Food and Drug Administration (FDA), e o termo cosmecêutico não é reconhecido pelo Decreto Federal Food, Drug and Cosmetic. Embora os cosméticos e cosmecêuticos sejam testados quanto à segurança, não são obrigatórios testes para determinar se os ingredientes benéficos realmente são mais que uma alegação do fabricante. Em geral, vitaminas, ervas, óleos variados e extratos botânicos podem ser usados na cosmecêutica, mas o fabricante não pode alegar que estes produtos penetram além das camadas superficiais da pele ou que tenham efeitos semelhantes aos de medicamentos ou terapêuticos. Para rótulos cosméticos, não é necessária divisão entre ingredientes ativos e outros ingredientes; são todos relacionados em conjunto.

HIDRATANTES
A barreira de permeabilidade cutânea está localizada nos interstícios do estrato córneo e é mediada pelas camadas duplas lamelares enriquecidas com colesterol, ácidos graxos livres e ceramidas. Tem sido sugerido que as formulações contendo lípides idênticos aos da pele facilitem uma cascata de eventos fisiológicos nos queratinócitos, normalizando a pele danificada. Quando aplicada à pele por um período prolongado, a água pode causar a excreção de citocinas. Estas moléculas proinflamatórias induzem edema, vasodilatação e franca inflamação; portanto, a água apenas pode alterar a estrutura e a função da pele sob algumas condições. Em prova do que digo, os hidratantes que tornam o estrato córneo mais suave e mais flexível por aumentarem sua hidratação poderiam ser considerados cosmecêuticos.

RETINÓIDES
Os retinóides possivelmente são os cosmecêuticos mais prevalentes no mercado. Os retinóides são derivados da vitamina A presentes em todos os organismos vivos, seja como vitamina A pré-formada ou como carotenóides. A vitamina A (retinol) é o protótipo de todos os outros retinóides e é necessária para o crescimento apropriado, o desenvolvimento dos ossos e a integridade das superfícies mucosas e epiteliais. Na deficiência de vitamina A, os olhos e a pele são afetados severamente. A conjuntiva e a córnea desenvolvem metaplasia e queratinização, levando à cegueira noturna. A pele desenvolve hiperqueratose folicular ou frinodermia. As pápulas foliculares hiperceratóticas geralmente se aglomeram em torno das proeminências ósseas, como os cúbitos e os joelhos, mas, na deficiência severa, as pápulas podem ser encontradas na superfície inteira da pele.
As civilizações antigas reconheciam os benefícios da vitamina A em tratar e curar a cegueira noturna com dietas ricas em fígado. Na década de 30, as manifestações clínicas da deficiência da vitamina A foram reconhecidas e foi iniciada a idéia de usar a vitamina A no tratamento de doenças da pele. O advento dos análogos sintéticos da vitamina A, na década de 70, trouxe novo interesse à atividade biológica, especialmente na pele. Desde então, a vitamina A e seus derivados têm sido úteis no tratamento de muitos distúrbios da pele, inclusive na ictiose, na acne e na psoríase. Uma grande quantidade de pesquisas se concentra em seu uso como composto “antienvelhecimento” bem como em seu uso para outros distúrbios cutâneos; portanto, hoje a vitamina A é reconhecida como compreendendo uma grande quantidade de efeitos biológicos muito além daqueles na córnea.
A vitamina A e seus derivados têm 2 funções principais: atuam como antioxidantes e ativam genes e proteínas específicos. Como antioxidantes, protegem as células do dano oxidativo por 3 diferentes mecanismos: (1) removendo os radicais peroxila, (2) extinguindo o oxigênio singlet (???) e (3) sensibilizadores de estado triplo. A vitamina A também exerce um efeito semelhante ao de um hormônio na pele, ativando genes específicos através de receptores nucleares. Os receptores se ligam a seqüências-alvo chamadas elementos de resposta hormonal no DNA e ativam a transcrição genética. Os receptores do ácido retinóico (RARs) se ligam ao ácido retinóico totalmente trans, e os receptores retinóicos X (RRXs) se ligam ao ácido retinóico 9-cis. A vitamina A E seus derivados inibem a peroxidação de lípides; aumentam os níveis de alfa-tocoferol (vitamina E); e ativam fatores de crescimento, oncogenes, queratinas e transglutaminases.
Histologicamente, a vitamina A e seus derivados induzem o espessamento epidérmico, aumentam as mitoses, diferenciam os queratinócitos e reduzem o número dos sebócitos. A derme mostra aumento das quantidades de glicosaminoglicanos (GAGs) e de fibrilas de ancoramento. As alterações estruturais subjacentes aos benefícios cosméticos incluem correção da atrofia epidérmica, deposição de colágeno novo, geração de vasos novos e aumento da mitogênese. Este aumento da mitogênese promove o desprendimento dos queratinócitos carregados de melanina, resultando em clareamento e subseqüente despigmentação. A capacidade da tretinoína tópica de melhorar o aspecto da pele envelhecida e fotodanificada por redução das rugas, diminuindo a frouxidão, clareando as manchas hiperpigmentadas e ocasionando uma superfície mais suave foram bem estudados e documentados. Restam a ser elucidadas as qualidades dos retinóides como medicamentos.

HIDROXIÁCIDOS
Os hidroxiácidos provavelmente são o segundo cosmecêutico mais disponível e, em baixas concentrações, são encontrados na formulação de cosméticos comercializados em massa. Os hidroxiácidos são ácidos carboxílicos orgânicos classificados em hidroxiácidos alfa (HAAs) e hidroxiácidos beta (HABs), de acordo com sua estrutura molecular.
Os HAAs variam de simples compostos alifáticos a moléculas complexas. Muitos são derivados de fontes naturais e costumam ser denominados ácidos das frutas. Os HAAs diferentes incluem os seguintes: ácido glicólico, ácido lático, ácido cítrico, ácido mandélico, ácido málico e ácido tartárico.
Os HAAs demonstraram diminuir os sinais de envelhecimento. A pele parece mais suave e mais uniforme. A provável causa destas alterações é a propriedade dos HAAs de aumentar o desprendimento epidérmico. Alguns alegam que os HAAs aumentam a síntese de GAGs, melhoram a qualidade das fibras elásticas e aumentam a densidade do colágeno. As evidências científicas para apoiar tais alegações ainda estão incompletas e são controversas.
Os HABs são compostos aromáticos. O ácido salicílico é o HAB de referência; tem propriedades dermolíticas e ajuda em vários distúrbios xeróticos e ictióticos. Outros HABs incluem o ácido 2-hidroxi-5-octanil benzóico, também conhecido como beta-lipo-hidroxiácido (B-LHA) e ácido trópico.
Apesar de sua popularidade, os mecanismos exatos da ação dos hidroxiácidos continuam desconhecidos e são amplamente controversos; entretanto, pelo menos um aspecto de suas atividades biológicas pode ser atribuído à força ácida inerente dos compostos. Estudos mostram que os HAAs aumentam a sensibilidade à radiação UV e que a aplicação de filtro solar pode ser aconselhável quando estes produtos são usados.

ANTIOXIDANTES
A pele é freqüentemente exposta a uma constante agressão por agentes endógenos e exógenos. Agentes como a radiação UV, medicamentos, poluentes do ar e calor e/ou frio estão continuamente desafiando o caráter protetor da pele. Além destas agressões externas, a pele também tem de enfrentar mitógenos endógenos, os mais importantes dos quais são as espécies de oxigênio reativas (EOR) e outros radicais livres. Estas espécies são continuamente produzidas durante o metabolismo celular fisiológico. Para contrapor-se aos efeitos prejudiciais das EOR, a pele é equipada com um sistema antioxidante para manter o equilíbrio entre os pró-oxidantes, ou agentes de dano, e os antioxidantes, ou agentes protetores; estes antioxidantes intervêm em diferentes níveis no processo protetor.

Vitamina C
A vitamina C (ácido ascórbico) é essencial para a vida. Desde sua descoberta na década de 30, muito também tem sido realizado para elucidar seus mecanismos de ação. Os papéis da vitamina C são numerosos. Ela é necessária para a hidroxilação do procolágeno, da prolina e da lisina. A deficiência resulta em púrpura, folículos ceratóticos e sangramento gengival. A vitamina C é um antioxidantes hidrossolúvel que se liga aos radicais livres e regenera a vitamina E. É importante regulador da expressão do colágeno, estimulando sua síntese. Estudos têm mostrado que os níveis de vitamina C na pele sofrem severa depleção depois de irradiação UV e que, histologicamente, a vitamina C melhora a normaliza as alterações causadas pelo fotocomprometimento. Até aqui, contudo, têm sido poucos os estudos da vitamina C e faltam informações sobre seu efeito in vivo.
A vitamina C tem sido usada efetivamente para estimular o reparo do colágeno, assim diminuindo alguns dos efeitos do fotoenvelhecimento sobre a pele. No entanto, a vitamina C é facilmente degradada pelo calor e a luz, o que, juntamente com sua alta acidez, apresenta certos desafios para o uso numa formulação para pele com muitas finalidades. Uma fração de colágeno sintético recentemente introduzida oferece maior estabilidade e compatibilidade, juntamente com melhora da eficácia.

Vitamina E
A vitamina E (alfa-tocoferol) é o principal antioxidante lipofílico no plasma, membranas e tecidos. O termo vitamina E se refere coletivamente a 8 moléculas de ocorrência natural (4 tocoferóis e 4 tocotrienóis), todos os quais exibem atividade na vitamina E. Considera-se, em geral, que seu principal papel seja a parada da propagação da cadeia na peroxidação de lípides pela remoção dos radicais peroxila lipídicos, assim protegendo a membrana celular da destruição. A vitamina E, aplicada de maneira tópica antes da irradiação com UV, tem demonstrado reduzir o eritema, o edema, as células queimadas pelo sol, a imunossupressão causada pela luz solar e a formação aduta de DNA.

Pantenol
O pantenol, análogo álcool da vitamina B-5, é um umectante hidrossolúvel encontrado em vários cremes dermatológicos comercializados, em batons, loções e preparações capilares. É estável na presença de oxigênio e luz, mas instável na presença de ácidos, bases e altas temperaturas. O pantenol é convertido, na pele em ácido pantotênico, que é importante componente da coenzima A, essencial para o metabolismo celular normal.

Ácido lipóico
O ácido lipóico é um protetor de radicais livres peculiar. É lipo e hidrossolúvel. Uma vez que o ácido lipóico atravesse a membrana celular, degrada-se em ácido diidrofólico, que também é um antioxidante. O ácido lipóico também recicla outros antioxidantes fundamentais, como a vitamina C, a vitamina E e a glutationa.

Ubiquinona
A ubiquinona, também conhecida como coenzima Q!, é um derivado de quinona lipossolúvel presente nas mitocôndrias e usada para gerar trifosfato de adenosina (ATP), aumentando a energia. Demonstra-se que diminui a peroxidação das lipoproteínas de baixa densidade melhor que a vitamina E.

Niacinamida
A niacinamida (nicotinamida) é uma amida básica membro do complexo de vitaminas B. É usada na profilaxia e tratamento da pelagra. A niacinamida não produz o transbordamento periférico que acompanha o tratamento com ácido nicotínico. É uma das mais recentes vitaminas no mercado. Estudos in vitro têm demonstrado atividade antitumoral nos queratinócitos e supressão da fotocarcinogênese de UV-B. A principal razão para sua onda de popularidade é sua estabilidade. A niacinamida é estável na presença de oxigênio, ácido e altas temperaturas, e sua formulação é barata. A maior parte de seus efeitos conhecidos decorrem de aumento do turnover epidérmico e da esfoliação.

Dimetilaminoetanol
As preparações tópicas contendo dimetilaminoetanol (DMAE) têm sido apregoadas por sua capacidade de melhorar a firmeza da pele e de elevar a pele com bolsas. O DMAE tem sido usado como suplemento da dieta e se associa a melhora da função mental e aumento do desempenho físico devido, em parte, à sua capacidade de aumentar o neurotransmissor responsável pela estimulação dos músculos. O DMAE é capaz de diminuir a ligação cruzada de proteínas que ocorre durante o envelhecimento, provavelmente atuando como removedor de radicais livres. Também aumenta a atividades destas enzimas de maneira dose-dependente apenas nas frações particuladas da glicose-6-fosfato desidrogenase e 6-fosfogluconato desidrogenase.

Armadilha para spins
As armadilhas para spins de radicais livres são espécies que reagem com os radicais livres reativos para produzir radicais livres não-reativos razoavelmente estáveis, assim impedindo os radicais livres de danificar componentes celulares.
* DMPO (5,5-Dimetil-1-pirrolina-N-óxido)
* DEPMPO (5-Dietoxifosforil-5-metil-1-pirrolina-N-óxido)
* TEMPONE-H (1-Hidroxi-2,2,6,6-tetrametil-4-oxopiperidina)


Melatonina
Sabe-se que a melatonina, um hormônio secretado pela glândula pineal, tem ações antimutagênicas e oncostáticas. Esta ação benéfica da melatonina tem sido explicada em termos de sua capacidade de remover radicais livres e de aumentar as atividades das enzimas antioxidantes. Demonstrou-se que suprime o eritema induzido por radiação UV.

Catalase
A catalase, uma enzima presente em quase todas as células do corpo humano, catalisa a decomposição do peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Altas quantidades desta enzima na pele podem conferir capacidade antioxidativa.

Glutationa
A glutationa é um tripeptídeo de ácido glutâmico, cisteína e glicina. É encontrada em todo tecido animal ativo. É fundamental, como antioxidante, e quantidades de glutationa significativamente reduzidas são encontradas depois de exposição à UV.

Superóxido dismutase
A superóxido dismutase (SOD) é uma enzima que destrói o superóxido (alta EOR). A SOD é uma grande molécula e tem dificuldade de penetrar profundamente na pele. Na teoria, uma vez na parte baixa da epiderme e na derme, a SOD deve diminuir o eritema e o dano por UV e atua como antioxidante excelente.

Peroxidase
Kulkarni e colegas desenvolveram um extrato de erva-doce hidrossolúvel com atividade de peroxidase mensurável. Estudo in vitro têm mostrado consumo muito melhor de oxigênio do que o tocoferol e também demonstram atividade antibacteriana.

Polifenóis
Compostos polifenólicos (como as catequinas, flavonóis, tioflavinas, tearrugibinas), também conhecidos como epicatequinas, são de natureza antioxidante. Estes compostos, testados contra os queratinócitos humanos acentuados pela irradiação UV-B, mostraram altas propriedades antioxidativas. Muitos laboratórios têm mostrado que o tratamento tópico ou o consumo oral de polifenóis inibe a tumorigênese na pele induzida por substâncias químicas ou radiação UV em diferentes modelos de animais. Possui atividade antiinflamatória. Um dos principais e mais quimiopreventivos constituintes responsáveis pelos efeitos bioquímicos ou farmacológicos é o epigalocatequina-3-galato (EGCG) encontrado no chá verde. Genisteína, a isoflavona encontrada na soja, e picnogenol, um extrato da casca do pinho marítimo francês (Pinus pinaster), demonstraram prolongar significativamente a latência e diminuir a multiplicidade tumoral com potente capacidade de remover radicais livres.

Cisteína
Vários estudos recentes demonstraram que os derivados da cisteína podem proteger contra os efeitos negativos da exposição a UV. Em particular, a N-acetilcisteína (NAC) demonstra ter efeito protetor contra imunossupressão induzida por UV-B, em modular a expressão de alguns oncogenes e genes supressores tumorais e em aumentar as quantidades de glutationa intracelular. Sabe-se que a glutationa é crítica na proteção das células corporais contra o estresse oxidativo; No entanto, o tomar a glutationa não eleva os níveis de glutationa no sangue de maneira tão eficaz quanto tomar seu precursor NAC. As pesquisas atuais têm NAC como ponto central nas medidas de combate ao processo de envelhecimento.

Alantoína
A alantoína promove proliferação celular, auxiliando no processo de cicatrização. Há muito se sabe que a alantoína aumenta a eficácia e a aceitação dos cremes cosméticos por sua ação como protetor da pele. A alantoína tem sido incorporada a xampus, batons, cremes de barbear, produtos de bronzeamento, espumas para banho, géis capilares, talcos infantis e variadas preparações de aerossóis. Também tem sido usada em artigos farmacêuticos tópicos. Mais recentemente, a alantoína tem sido usada em variadas preparações dentárias, como cremes dentais e soluções bucais. A alantoína tem sido chamada proliferante celular, um estimulante da epitelização e debridador químico. Diz que limpa o tecido necrótico, agilizando o crescimento de novo tecido saudável.

Furfuriladenina
A furfuriladenina é um fator de crescimento natural das plantas que retarda o processo de envelhecimento em plantas. Folhas cortadas mergulhadas numa solução que contenha furfuriladenina continuam verdes, enquanto folhas não tratadas se tornam castanhas. É comercializada como evolução natural de um tratamento antienvelhecimento com efeitos in vitro sobre células da pele humana semelhantes aos que ocorrem naturalmente no processo de envelhecimento as células.

Ácido úrico
No passado, o ácido úrico geralmente era visto meramente como um produto final do metabolismo das purinas. Mais recentemente, o ácido úrico se tornou cada vez mais reconhecido como importante antioxidante biológico. Estudos científicos demonstraram que o ácido úrico é um potente antioxidante fisiológico, desempenhando grande papel nos mecanismos de defesa extracelulares e intracelulares. Embora não esteja completamente determinado o mecanismo bioquímico preciso, o ácido úrico parece ter uma ação poupadora no ascorbato plasmático, provavelmente por fazer complexos com metais de transição, como o ferro e o cobre.

Carnosina
A carnosina (beta-analil-L-histidina) é um dipeptídeo fisiológico que pode rejuvenescer fibroblastos humanos senis em cultura. Demonstrou conter propriedades de antioxidante e de remoção de radicais livres e de íons metálicos.

AGENTES DESPIGMENTANTES
A hiperpigmentação é decorrente de um aumento na quantidade de melanina na epiderme, na derme ou em ambas. Esta alteração pigmentar pode ser dividida em 2 processos fisiopatológicos: melanocitose (aumento do número de melanócitos) e melanose (aumento da quantidade de melanina). Os agentes despigmentantes funcionam melhor quando a melanose ou a melanocitose se restringe à epiderme. Outros métodos de despigmentação atualmente usados são as abrasões químicas.
Os agentes despigmentantes podem ser divididos em vários grupos:
Os compostos fenólicos incluem os seguintes:
· Hidroquinona
· Monobenziléter de hidroquinona
· 4-metoxifenol
· 4-isopropilcatecol
· 4-hidroxianesol
· N-acetil-4-S-cistaminilfenol
Os compostos não-fenólicos incluem os seguintes:
· Corticosteróides
· Tretinoína
· Ácido azelaico
· N-acetilcisteína (NAC)
· L-ascorbil-2-fosfato
· Ácido cójico
As fórmulas combinadas incluem as seguintes:
· Fórmula de Kligman
· Fórmula de Pathak
· Fórmula de Westerhof


Hidroquinona
A hidroquinona (HQ) é usada como agente redutor, antioxidante, inibidor da polimerização e intermediário químico. É usada em agentes de venda livre como ingrediente nos produtos para clareamento da pele e é um ingrediente natural em muitos produtos derivados de plantas, incluindo hortaliças, frutas, grãos, café, chá, cerveja e vinho. As propriedades de clareamento de pigmentos da pele da HQ parecem dever-se à inibição da tirosinase dos melanócitos.
Os efeitos adversos que se associam ao uso de HQ em produtos de venda livre regulamentados pela FDA limitam-se a um pequeno número de casos de ocronose exógena, embora tenham sido relatadas incidências mais altas deste distúrbio com o uso inadequado de produtos de venda livre não regulamentados e que contêm concentrações mais altas de HQ; O efeito mais grave para a saúde humana relacionado à HQ é a pigmentação do olho e, num pequeno número de casos, dano permanente da córnea.

N-acetil-4-S-cisteaminilfenol
Um tioéter fenólico, o N-acetil-4-S-cisteaminilfenol, é um novo tipo de agente de despigmentação. Alega-se que é mais estável é menos irritante para a pele que a HQ e é específico para células de síntese de melanina. Tem sido estudado um composto monofenólico, o terbutil-4-hidroxianisol (mequinol), no tratamento de lentígines solares e lesões hiperpigmentadas relacionadas. O produto combinado tópico contendo 4-hidroxianisol a 2%/solução de tretinoína a 0,01% (Solage) é bem tolerado e superior a qualquer dos componentes ativos.

Vitamina C
Acredita-se que a vitamina C (ácido L-ascórbico) e seus derivados atuem como redutores sobre os intermediários da melanina. Bloqueiam a reação na cadeia oxidativa de tirosina/diidroxifenilalanina (DOPA) para melanina em variados pontos.

Ácido cójico
O ácido cójico (5-hidroxi-2-[hidroximetil]-4-pirona), um produto metabólico fúngico, tem sido cada vez mais usado como despigmentante da pele em produtos para cuidados dermatológicos comercializados no Japão desde 1988. Vários estudos têm mostrado que o ácido cójico inibe a atividade da tirosinase; este achado tem sido atribuído à sua capacidade de quelar o cobre necessário à tirosinase.
Arbutina
A arbutina, ou hidroquinona-beta-D-glicopiranosida, consiste em HQ ligada à glicose; a arbutina é um derivado da beta-D-glicopiranosida de ocorrência natural proveniente da HQ. A arbutina pode inibir a melanogênese afetando a atividade da tirosinase, e não por morte dos melanócitos e diminuição da síntese da melanina. A arbutina executa sua atividade simulando o aminoácido tirosina, o substrato habitual da tirosinase.

Ácido azaleico
O ácido azaleico (AZA) é um ácido dicarboxílico originalmente isolado do Plasmodium ovale. Relata-se que tem efeitos despigmentantes, enquanto não mostra atividade significativa sobre a pele normal. Acredita-se que o AZA iniba seletivamente a tirosinase nos melanócitos hiperativos.

Composto da amora-papel
O composto 5-(3-2,4-[diidroxifenil]propil)-3,4-bi(3-meil-2-butenil)-1,2-benzenodiol, da casca de raiz de amora-papel, tem demonstrado inibir a tirosinase do cogumelo, remover radicais livres e despigmentar a hiperpigmentação induzida por UV em cobaias. Estudos no homem não mostram irritação ou sensibilização.

Tretinoína
A tretinoína tem sido usada com sucesso no tratamento de pigmentação epidérmica. A tretinoína tópica a 0,1% produz melhora clínica de melasma e lentígines. O mecanismo proposto para a tretinoína no clareamento da pele é a inibição da melanogênese, embora isto ainda seja pouco entendido. Quando combinada com HQ, a tretinoína tem efeito sinérgico.

Agentes de peeling químico
O peeling químico se tornou uma técnica estabelecida no tratamento de hiperpigmentação cutânea. Os agentes de peeling químico incluem o ácido glicólico, o resorcinol e o ácido salicílico.

Compostos químicos
A fórmula de Kligman consiste em hidroquinona (HQ) a 5%, tretinoína a 0,1% e dexametasona a 0,1% em pomada hidrófila.
A fórmula de Pathak consiste em HQ a 2% e tretinoína a 0,05-0,1%.
A fórmula de Westerhof consiste em N-acetilcisteína (NAC) a 4,7%, HQ a 2% e acetonido de triancinolona.


OUTROS COSMECÊUTICOS

Substâncias Botânicas
Devido à conscientização sobre dano ambiental causado pela industrialização, desenvolveu-se uma tendência de usar produtos com ingredientes naturais. Nenhum outro ingrediente pode servir a esta finalidade tão bem quanto as substâncias botânicas. Estas agora fazem parte de todos os produtos no mercado, dos cosméticos aos refrigerantes. Abacate, banana, limão e outras substâncias botânicas semelhantes estão relacionados em milhares de rótulos. Eles exercem seus efeitos expressos através de mecanismos de antioxidantes, HAAs, HABs e outras propriedades ainda não esclarecidas.
Alguns exemplos de substâncias botânicas incluem camomila, que inibe a liberação de histamina e tem propriedades antiinflamatórias, e ginseng, que estimula a biossíntese de proteínas, RNA e lípides. O extrato de ginkgo biloba demonstrou induzir localmente SOD e catalisar a atividade enzimática na epiderme depois da aplicação tópica, bem como aumentar sistemicamente a atividade de ambas as enzimas no fígado, coração e rins. A curcumina, encontrada no curry, tem atividade antiinflamatória por inibir a formação de leucotrienos, inibindo a agregação plaquetária e estabilizando as membranas lisossômicas dos neutrófilos. A glicirrizina encontrada nas raízes de alcaçuz inibe as atividades proinflamatórias das prostaglandinas e dos leucotrienos. A capsaicina inibe a substância P, um peptídeo transmissor do processo inflamatório. A aloe vera tem demonstrado acelerar a cicatrização das feridas e proteger e suavizar a pele.

Glicosaminoglicanos
O ácido hialurônico (AH), ou hialurano, é o protótipo de todos os outros GAGs. Estudos têm demonstrado que estão presentes quantidades diminuídas na pele envelhecida e que AH aplicado topicamente acelera o reparo de feridas. Outros estudos observaram regeneração epidérmica depois da aplicação de AH com baixo peso molecular.

Anticelulite
A lipólise é mediada, em parte, por receptores beta-adrenérgicos, os quais induzem a degradação de gorduras, e pelos receptores adrenérgicos alfa2, que inibem a degradação de gorduras. Agentes que se ligam a estes receptores podem hipoteticamente possuir um efeito terapêutico sobre a celulite. Os estimuladores beta-adrenérgicos incluem a teobromina, a teofilina, a aminofilina, a cafeína, o cloridrato de isopropilarterenol e adrenalina. Os inibidores de alfa2-adrenérgicos incluem a ioimbina, o piperoxano, a fentolamina e a diidroergotamina.


Enzimas

Papaína
A papaína, uma enzima encontrada no mamão, digere quimicamente as ligações intercelulares. A papaína tem sido estudada no tratamento de cicatrizes hipertróficas e poe ser usada para esfoliar a pele ceratótica.
Enzimas de reparo do ácido desoxirribonucléico (DNA)
Os dímeros da pirimidina do ciclobutano induzidos por radiação UV-B no DNA das células epidérmicas são prejudiciais para a saúde humana por causarem mutações e efeitos imunossupressivos que contribuem para a fotocarcinogênese. As loções contendo enzimas de reparo do DNA derivadas de bactérias e os lipossomos contendo fotoliase demonstraram reduzir a incidência de lesões cancerosas e pré-cancerosas. Quando a enzima bacteriana de reparo do DNA, T5 endonuclease V, é transmitida ao intracelular, aumenta a taxa de reparo de dano do DNA induzido pela luz solar nas células humanas.
Yarosh e cols. mostraram que a aplicação tópica de uma enzima de reparo do DNA à pele danificada pelo sol baixava a taxa de desenvolvimento de queratoses actínicas e de epiteliomas basocelulares durante 1 ano de tratamento. A aplicação tópica de lipossomos contendo fotoliase à pele irradiada por UV-B e a subseqüente exposição à luz fotorreativante diminuiu o número de dímeros induzidos por radiação UV-B em 40 a 45%. O reparo de dímeros induzidos pela fotoliase impediu completamente os efeitos imunossupressores induzidos pela radiação UV-B, bem como a formação de eritema e células queimadas pelo sol. Estes estudos demonstram que a aplicação tópica das enzimas bacterianas de reparo do DNA podem ser eficazes na reversão dos dímeros, levando à imunoproteção e a uma diminuição da fotocarcinogênese.


Fatores de Crescimento

Fator de crescimento epidérmico
O fator de crescimento epidérmico (EGF) é encontrado no plasma, no suor, na urina, na saliva e no sêmen. Quando o EGF se liga ao receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), estimula o crescimento e a diferenciação epidérmicos. Tem sido usado no tratamento de queimaduras e na exérese de feridas, onde acelera a reepitelização.

Fator de transformação do crescimento
O fator de transformação do crescimento (TGF) estimula o crescimento normal da pele e o crescimento e reparo das células. O TGF exerce efeitos regulatórios positivos sobre o acúmulo das proteínas da matriz extracelular do corpo. O TGF também é um mediador de fibrose (formação de tecido de reparo) e de angiogênese (desenvolvimento de novas células do sangue) e promove o fechamento de feridas.

Hormônios
Os cremes hormonais alegam ser o meio mais eficaz de fazer parar ou de tornar mais lento o processo do envelhecimento por reversão da perda do tono e de elasticidade da pele. As evidências confirmatórias desta alegação ainda não foram publicadas.

Estrogênios
Alguns estudos têm mostrado efeitos antienvelhecimento dos estrogênios. Uma investigação verificou que, depois de 6 meses de aplicação de compostos de estradiol a 0,01% e de estriol a 0,3%, a elasticidade, a firmeza, a profundidade das rugas e os tamanhos dos poros da pele melhoraram acentuadamente. Na análise imuno-histoquímica, aumentos significativos da marcação de colágeno tipo III foram combinados a aumentos do número de fibras de colágeno ao final do período de tratamento. Da mesma forma, não foram observados efeitos adversos sistêmicos. No entanto, são necessários estudos melhores antes que estes agentes sejam usados de rotina por seus efeitos antienvelhecimento.

Progesterona
Os cremes de progesterona estão sendo comercializados como formulações que revertem as alterações químicas que ocorrem no colágeno com o envelhecimento e que normalizam o sistema imune. Alguns fabricantes também alegam que o creme de progesterona cicatriza patologias cutâneas, como acne, psoríase, rosácea, seborréia e queratoses. Outros fabricantes alegam que os cremes de progesterona são um suplemento tópico para mulheres que apresentam sintomas relacionados à síndrome pré-menstrual (SPM), menopausa ou osteoporose. Nenhuma destas reivindicações é sustentada por estudos bem desenhados.

Testosterona
A aplicação tópica está ser tornando rapidamente o método preferido de administração de testosterona. Teoricamente, quando aplicada por via tópica, a testosterona se desvia do estômago e do fígado e não causa elevação indesejável de estrogênio. Os fabricantes alegam que os cremes de testosterona têm muitos benefícios, como aumento da memória, efeitos antidepressivos, aumento da resistência ao estresse e possibilidade de tratar distúrbios associados ao hipogonadismo (como aumento do armazenamento de gordura, diminuição da massa muscular). Estudos recentes têm mostrado que o gel de testosterona aplicado à pele uma vez ao dia restaurou os níveis sangüíneos do hormônio em homens com hipogonadismo.

Hormônio do crescimento
O hormônio do crescimento (GH) e seu mediador, o fator 1 de crescimento insulina-símile (IGF-1) são responsáveis por muitos efeitos sobre o crescimento, o desenvolvimento, a imunidade e o metabolismo. Produzido e secretado pela hipófise anterior no cérebro, o GH é liberado em pulsos em resposta a sinais do hipotálamo. O GH exerce efeitos anabólicos em todo o corpo, favorecendo o crescimento de tecidos, ossos e músculos. Estudos têm mostrado que a população envelhecendo tem níveis reduzidos de GH no corpo, com resultante diminuição da massa corporal magra, dos depósitos de gordura, da imunidade e da energia como um todo.

Exotoxina botulínica A
A exotoxina botulínica A é uma neurotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Esta toxina está sendo usada agora por especialistas orientados cosmeticamente para o tratamento de uma grande variedade de rugas associadas ao movimento na face e no pescoço. Como procedimento não-cirúrgico simples e eficaz, a injeção da toxina botulínica A parece ser um método eficaz de eliminar linhas dos pés de galinha e linhas de expressão que estão na parte superior da face e produzindo franzimento temporário das sobrancelhas. Esta forma de desnervação química temporária complementa o arsenal cosmético dos profissionais. Ademais, o uso de toxina botulínica para bloquear a inervação simpática de glândulas sudoríparas écrinas está comprovando ser valioso no tratamento de hiperidrose das axilas, palmas e plantas.

Peptídeos

Pentapeptídeos do microcolágeno
Os fibroblastos em tecido envelhecido produzem menos colágeno do que os da pele mais jovem, mas sua capacidade de produzir colágeno ainda está presente. Relata-se que a produção de colágeno pelos fibroblastos é estimulada por um fragmento pentapeptídico da molécula de colágeno.
No terminal carboxila da molécula de colágeno, há um fragmento que foi identificado como participante na regulação de sua própria síntese. O pentapeptídeo Lys-Thr-Thr-Lys-Ser é um estimulador potente da síntese de colágeno e de fibronectina, que são ambos importantes componentes da matriz intersticial.

Peptídeos de cobre
A lisil oxidase (LO) dependente do cobre desempenha um papel crítico na biogênese das matrizes de tecido conjuntivo por ligações cruzadas das proteínas da matriz extracelular, colágeno e elastina. Os níveis de LO aumentam em muitas doenças fibróticas, enquanto a expressão a enzima diminui em certas doenças envolvendo comprometimento do metabolismo do cobre.
Na década passada, o gene codificador de LO foi clonado, facilitando investigações da regulação da expressão da enzima em resposta a diversos estímulos e em numerosos estados patológicos. O fator de transformação do crescimento beta, o fator de crescimento derivado das plaquetas, a angiotensina II, o ácido retinóico, o fator de crescimento dos fibroblastos, alteração das condições do soro e estresse por força transversal estão entre os efetores ou condições que regulam a expressão de LO. Como se reduz a produção de colágeno e de elastina se reduz no envelhecimento da pele e na pele exposta à luz ultravioleta, os peptídeos de cobre podem ser capazes de ajudar a produzir novo colágeno e, assim, reparar a pele envelhecida.

Antimicrobianos
O uso de antimicrobianos em cosméticos e artigos de toucador relacionados tem sido exuberante nos anos recentes. São cada vez mais encontrados em óleos, cremes e loções para bebês para ajudar a prevenir e controlar impetigo e miliária; em desodorantes, para inibir a decomposição microbiana da perspiração; e em várias preparações para o couro cabeludo, para inibir microrganismos associados à dermatite seborréica.

Triclosan
Esta é a última coqueluche no arsenal das substâncias químicas antibacterianas, incluindo detergentes, líquidos para lavagem de louças, sabões, desodorantes, cosméticos, loções, cremes e até creme dental. O triclosan (2,4,4’-tricloro-2’-hidroxifeniléter) é um antimicrobiano de amplo espectro, usado de rotina em vários produtos de higiene pessoal. Também é incorporado a polímeros através de fusão com o intuito de fornecer ação antibacteriana persistente na superfície do polímero.
Clorexidina
A clorexidina é eficaz contra ampla variedade de bactérias vegetativas gram-negativas e gram-positivas, leveduras, fungos dermatófitos e vírus lipofílicos. É inativo contra esporos bacterianos, exceto em temperaturas elevadas.

Iodopolividona
Este composto é solúvel em água, formando uma solução castanho-dourada. Como o iodo, a solução do complexo de iodo é bactericida e fungicida. No entanto, diferentemente das soluções de iodo, não mancha. A ação anti-séptica das soluções de iodopolividona se deve ao iodo disponível presente no complexo.

PCMX (para-cloro-meta-xilenol)
O PCMX é eficaz contra bactérias gram-positivas e gram-negativas e fungos e leveduras. O PCMX tem sido testado e mostrado ser seguro para o uso no tratamento de feridas a longo prazo, sendo mais eficaz numa faixa mais ampla de microrganismos do que os outros anti-sépticos.

Peróxido de hidrogênio
Em solução, o peróxido de hidrogênio proporciona limpeza mecânica e um certo debridamento das feridas por sua ação efervescente; entretanto, pode causar ulceração de tecido recém-formado e pode criar granulomas. É tóxico para os fibroblastos e, portanto, jamais deve ser usado como solução para o período depois de intervenção para tratamento intensivo para feridas.

Preparações anticaspa
A maioria das preparações para o tratamento de caspa depende amplamente de antimicrobianos para seu efeito terapêutico. Uma loção anticaspa importante é combinação de cloreto de benzetônio e N-tricloroetila mercapto-4-ciclo-hexeno-1,2-dicarboximida. O cloridrato de bifenamina tem excelente propriedade antifúngica bacteriostática e ação anestésica local.

Piritiona de zinco
O 2-piridina-tiol-1-óxido de zinco é um dos antimicrobianos mais amplamente usados, enquanto o brometo de lauril isoquinolínio e politionato de bilauriltrimetilamônio são outros agentes populares. Além de suas propriedades anti-seborréicas, o 2,2’-tiobi-4-clorofenol e a diiodo-hidroxiquina também exibem qualidades anti-sépticas.

Desodorantes
Substâncias antimicrobianas, como o hexaclorofeno, o fenolsulfonato de alumínio e o peróxido de zinco, bem como variados quaternários, como o brometo de cetiltrimetilamônio, o cloreto de alquildimetilbenzilamônio e o cloreto de diisobutilfenoxietildimetilbenzilamônio, têm sido usadas em formulações antiperspirantes e desodorantes.
A tirotricina e a neomicina também têm sido usadas em formulações de desodorantes. Estudos têm mostrado que a neomicina exclusivamente ou em combinação com cloridróxido de alumínio produz eficaz supressão de odor, juntamente com significativo aumento de organismos gram-negativos. Sua eficácia como desodorante é essencialmente atribuída à sua supressão excepcional dos gram-positivos.
A triclorocarbanilida é bacteriostático de amplo espectro e alta eficácia também usado em desodorantes. Tem efeito bactericida seguro e estável duradouro. Também tem efeitos sobre a inibição e morte de bactérias gram-positivas, gram-negativas, fungos, sacaromicetos e vírus.

Outras preparações antimicrobianas
Diversas substâncias químicas são usadas no tratamento para variadas infecções fúngicas, inclusive ácidos graxos e seus derivados (como o zinco, o cálcio, os undecilenatos de alcanolamina), os fenólicos (4-hatotimóis), as quinolinas halogenadas (iodocloridroxiquina), sais quaternários de amônio (cloreto de hexadecametilneobi-isoquinolínio) e enxofre e derivados de enxofre (etileno biditiocarbamato de zinco). Derivados do fenol e do polifenol que são usados em formulações cosméticas incluem o hexilresorcinol, o p-cloro-m-xilenol, o o-fenilfenol e o clorotimol. Compostos de amônio quaternário usados em formulações cosméticas incluem cloreto de benzalcônio, cloreto de benzetônio, cloreto de cetilpiridínio e brometo de cetiltrimetilamônio.

Anestésicos e antipruriginosos tópicos
Os agentes anestésicos locais específicos costumam ser encontrados em vários medicamentos tópicos e em produtos de toucador, como loções para as mãos e o couro cabeludo, preparações para os pés e produtos após-barba para aliviar o desconforto e reduzir o prurido. Os anestésicos também são encontrados em formulações elaboradas para serem úteis na dermatite das fraldas, queimaduras solares e acne vulgar.

Etilaminobenzoato
O etilaminobenzoato (benzocaína) talvez tenha sido um dos anestésicos locais mais amplamente usados; entretanto, a incidência cada vez maior de sensibilização tem apressado a introdução de anestésicos não-caínicos.

Álcool benzílico
Em cremes, loções e pomadas, o álcool benzílico num nível a 2% proporciona efeitos anestésicos locais eficazes e qualidades conservantes.

Cloridrato de diperodona
O cloridrato e o monoidrato de diperodona são compostos da piperidina da classe dos aminobenzenos com substituições em N. Aproximadamente no nível de 1%, proporcionam efeitos anestésicos locais e ações antipruriginosas.

Cloridrato de pramoxina
O cloridrato de pramoxina, sabidamente mais potente que a cocaína, é usado em preparações tópicas em concentrações de cerca de 1%; entretanto, o sal monoidratado costuma ser preferido em algumas aplicações porque não é sensível a álcalis, é mais solúvel com variados solventes e pode evitar certas alterações de cor ou escurecimento em produtos que contenham componentes sensíveis ao cloridrato. Agentes anestésicos locais específicos, como a benzocaína, a pramoxina e a diperodona, exercem seus efeitos em mucosas e membranas cutâneas com abrasão, com solução de continuidade ou irritadas. Não são eficazes em pele sem solução de continuidade.

Mentol
O mentol e compostos de resfriamento relacionados são amplamente usados em produtos que variam de medicamentos para resfriados a cremes dentais, confeitos, cosméticos e pesticidas. O mentol afeta as terminações nervosas, proporcionando uma ação antipruriginosa de resfriamento.

Capsaicina
Pensa-se que a aplicação tópica da capsaicina cause depleção da substância P das terminações nervosas sensitivas locais. Em experimentos em pele humana, a reação inflamatória foi induzida por injeção de substância P (SP) ou histamina por via intradérmica, irradiação de UV, urticária de contato não-imunológica, reação à tuberculina, alergenos de contato e cloreto de benzalcônio com o usem pré-tratamento com capsaicina. A resposta exacerbada à SP e à histamina foi suprimida pelo pré-tratamento com capsaicina, enquanto a pápula aumentou. O interessante é que o pré-tratamento com capsaicina aumentou as respostas a todos os outros agentes inflamatórios.

Esclerosantes de veias varicosas
Os agentes esclerosantes podem ser subdivididos em diferentes grupos, dependendo de seu mecanismo de ação.

Soluções de limpeza
Estes tipos de esclerosantes provocam dano do endotélio por ataque aos lípides da membrana, assim causando lesão celular e inflamação. Os esclerosantes que pertencem a este grupo incluem polidodecanol (Aethoxysclerol), o sulfato de tetradecila de sódio (Sotradecol), morruato de sódio e oleato de etanolamina (Ethamolin). O Aethoxisclerolç é um anestésico local e, portanto, indolor e provavelmente o mais eficaz.

Soluções osmóticas
Estas soluções funcionam por desidratação da célula endotelial por osmose até sua destruição. Substâncias que pertençam a este grupo incluem a salina hipertônica e Sclerodex (NaCl a 10%, glicose a 25%, fenetilálcool a 1%).
Agentes de remoção de pêlos

Agentes depilatórios
Os agentes depilatórios químicos comuns, disponíveis nas formas de géis, cremes, loções, aerossóis ou roll-on, são os sais do ácido tioglicólico (tioglicolato de sódio ou tioglicolato de cálcio) que foram patenteados na década de 30 para tirar os pêlos do couro do gado. Os depilatórios com tioglicolato funcionam hidrolisando e rompendo as pontes dissulfeto da queratina dos pêlos, fazendo que o pêlo se quebre ao meio e permitindo que ele se separe da pele.

Creme de cloridrato de eflornitina a 13,9%
O cloridrato de eflornitina em creme a 13,9% (Vaniqa) está aprovado pela US FDA para a redução de pêlos faciais indesejáveis nas mulheres. Funciona inibindo a enzima ornitina descarboxilase (ODC), enzima da pele humana que estimula o crescimento de pêlos. Quando esta enzima é bloqueada, a atividade metabólica no folículo piloso diminui, e os pêlos crescem mais lentamente. Os investigadores verificaram que a atividade aumenta na pele de roedores em 4 horas após a remoção dos pêlos. No homem, a ODC foi encontrada onde se desenvolvem os folículos, sendo abundante nas células em proliferação dos folículos do anágeno e diminuição na fase do catágeno o que persiste até a fase folicular seguinte. O aumento da atividade da ODC mostra prolongamento da fase do anágeno, e a diminuição da atividade mostra redução desta fase.

Cetoconazol
O cetoconazol é antiandrógeno potente. Funciona por bloqueio da produção de hormônios pelos ovários e as supra-renais. A ingesta de cetoconazol pode variar de 200 a 400 mg/d.

Espironolactona, flutamida e acetato de ciproterona
A espironolactona interfere com a produção de testosterona e aumenta o metabolismo de qualquer testosterona que seja produzida. Ademais, com o uso da espironolactona por longo tempo, a atividade da 5-alfa redutase é gradualmente reduzia. A flutamida e o acetato de ciproterona também têm atividades antiandrogênicas.

Tratamentos para perda de cabelos

Espironolactona
A espironolactona é um antagonista da aldosterona. Funciona ligando-se competitivamente aos receptores, assim impedindo a ligação dos andrógenos naturais aos receptores. A espironolactona é potente inibidor competitivo da diidrotestosterona (DHT) em seus sítios receptores. Portanto, a espironolactona efetivamente impede a DHT de se fixar aos sítios dos receptores nos folículos pilosos. A espironolactona pode ter potencial como aplicação tópica para tratar perda de cabelos. O tratamento de um modelo em animal revelou que a espironolactona foi capaz de penetrar na pele e ter um efeito no local dos bulbos dos folículos pilosos.

Acetato de ciproterona
O acetato de ciproterona permite e promove os folículos pilosos afetados por alopecia androgênica se tornem menos distróficos, permite que o índice de cabelos do anágeno para os folículos pilosos do telógeno aumente e possibilita um pequeno aumento no diâmetro das hastes capilares.

Flutamida
A flutamida tem efeitos antiandrogênicos poderosos que bloqueiam o receptor androgênico. Também tem sido usada para tratar alopecia androgênica feminina. Resultados de um estudo mostraram que a flutamida era significativamente superior à espironolactona no tratamento de patologias dependentes de andrógenos nas mulheres.

Ácido azelaico
O ácido azelaico é um ácido dicarboxílico saturado encontrado naturalmente no trigo, no centeio e na cevada. O ácido azelaico é comercializado num creme em concentração de 20% sob o nome comercial de Azelan. O ácido azelaico afeta o processo de corneificação das células epidérmicas e parece normalizar a queratinização das células na pele e nos cabelos. O ácido azelaico também parece atuar como antiandrógeno por bloqueio da atividade da 5-alfa redutase.

Cetoconazol
O xampu de cetoconazol é antifúngico. Tem alguns efeitos antiandrogênicos, mas não se sabe se a quantidade no xampu é absorvida. Se for útil contra a perda de cabelos, poderá funcionar de outro modo, que não como antiandrógeno. O tratamento combinado de xampu de minoxidil com xampu de cetoconazol te mostrado efeitos sinérgicos que não se vêm com o minoxidil apenas.

Pinacidil, P-1075, cromacalim e nicorandil
A abertura dos canais de potássio intracelulares é um mecanismo comum de ação para um conjunto de anti-hipertensivos que inclui o agente indutor de crescimento dos cabelos, minoxidil. Trabalhos recentes sugerem que os abridores dos canais de potássio (ACPs) também influenciam o crescimento dos cabelos. Estudos correlativos demonstram que uma série de ACPs, inclusive o pinacidil, o P-1075 (análogo ativo do pinacidil), o cromacalim e o nicorandil, mentem o crescimento dos pêlos em culturas de folículos.

Tretinoína
Demonstra-se que a tretinoína promove e regula a proliferação e a diferenciação celulares no epitélio e pode promover proliferação vascular. Estes fatores são importantes para a promoção do crescimento de pêlos. Também modera as glândulas sebáceas e ajuda a controlar os níveis de DHT na pele do couro cabeludo, impedindo a perda de cabelos relacionada aos andrógenos por diminuição da DHT encontrada no sebo.

FK 506 – tacrolimus
O FK 506, antibiótico macrolídeo produzido pelo Streptomyces tsukubaensis, é conhecido como potente imunossupressor específico de linfócitos T e é eficaz contra a rejeição de enxertos depois do transplante de órgãos. O efeito estimulante do crescimento de cabelos do FK 506 é devido, pelo menos em parte, ao seu efeito promotor no ciclo capilar. Demonstrou-se que o FK 506 tópico induz o crescimento ativo dos cabelos (anágeno) a partir da fase em repouso (telógeno). O FK 506 também inibe o desenvolvimento prematuro do catágeno, induzido pela dexametasona. O FK 506 também proporciona relativa proteção da alopecia e da distrofia folicular induzida pela ciclofosfamida, talvez favorecendo a via distrófica do anágeno da resposta do folículo à lesão química.

Cisteína e arginina
As proteínas ricas em enxofre são as proteínas ricas em cisteína sintetizadas durante a diferenciação das células da matriz dos cabelos e formam fibras capilares em associação com os filamentos intermediários de queratina. A trico-hialina (TH) é uma grande proteína estrutural das células da bainha interna e da camada da medula do folículo piloso e, em menor escala, de outros epitélios especializados feito da conversão de arginina em citrulina.

Palmito serrilhado (Serenoa repens)
O palmito serrilhado parece funcionar localmente no ponto real de ligação de hormônios a receptores nas células. Aparentemente faz cessar ou pelo menos reduz a ligação dos andrógenos aos receptores. Também inibe localmente a 5-alfa-redutase e a 3-cetosteróide redutase, as enzimas envolvidas na conversão da testosterona a uma DHT mais potente. O chá verde está associado a altos níveis de globulina de ligação aos hormônios sexuais (SHBG) A SHBG é uma molécula que se liga com alta afinidade à testosterona. A testosterona ligada à SHBG não é bioativa e não pode ligar-se a receptores androgênicos ou ser convertida em DHT. O chá verde também pode ter um efeito sobre a enzima 5-alfa-redutase do tipo I.

Conduta em cicatrizes
Diferenciar cicatrizes hipertróficas de quelóides pode ser um desafio. Os pontos-chaves que devem ser tidos em mente são, primeiro, que as cicatrizes podem variar entre as que se tornam hipertróficas nos primeiros meses e depois se resolvem completamente sem tratamento, e as cicatrizes hipertróficas mais severas, que se tornam desfigurantes e permanentes e que os quelóides não costumam recorrer por 6 meses até 2 anos depois da cirurgia.

Camada de gel de silicone
As camadas de gel de silicone tê sido amplamente usadas como opção de conduta clínica para cicatrizes hipertróficas e quelóides desde o início da década de 80. O mecanismo de ação da camada de gel de silicone é desconhecido. Diferenças de temperatura que não ultrapassem 1°C, como é encontrado sob camada de gel de silicone, podem ter efeito significativo sobre a cinética da colagenase e podem alterar a cicatrização. O silicone, em si, jamais foi encontrado em quantidades significativas em cicatrizes tratadas com camadas, de modo que é improvável um efeito químico direto. Outros acreditam que a eletricidade estática gerada pelas camadas de gel de silicone induza uma polarização de tecido cicatricial que resulte em involução. A oclusão de cicatrizes pelas camadas de gel de silicone pode alterar os níveis de citocinas, o que, por sua vez, teria um efeito sobre a remodelação da cicatriz.

Fita adesiva de papel microporosa hipoalergênica
A aplicação de fita adesiva de papel microporosa hipoalergênica depois de cirurgia tem demonstrado sucesso. O mecanismo do benefício é desconhecido, mas pode, em parte, ser mecânico (terapia por pressão) e/ou oclusivo.
Compostos variados na conduta para cicatrizes
· Vitamina E
· Creme de extrato de cebola
· Gel de alantoína-sulfomucopolissacarídeo
· Gel de glicosaminoglicano
· Extratos de Bulbine frutescens
· Extratos de Centella asiática
· Ácido retinóico tópico
· Colchicina
· Anti-histamínicos sistêmicos


CONCLUSÃO
O uso da cosmecêutica elevou-se drasticamente nos últimos anos. Isto aumenta significativamente o arsenal do clínico para melhorar o tratamento de patologias da pele. No entanto, por vezes, as alegações de eficácia não possuem evidências convincentes e, deste modo, a indústria é desafiada a fornecer evidências convincentes da eficácia destes compostos.


INFORMAÇÕES DOS AUTORES
Autor: Santiago A. Centurion, MD, Médico do Serviço, Departamento de Dermatologia, UMDNJ – Escola de Medicina de New Jersey
Co-autores: Robert A. Schwartz, MD, MPH, Professor Chefe de Departamento, Dermatologia, Professor de Patologia, Pediatria, Medicina e Medicina Preventiva e Saúde da Comunidade, UMDNJ – Escola de Medicina de New Jersey; Cristina S. Solis, RN, BSN, Equipe Consultiva, Departamento de Dermatologia, UMDNJ- Escola de Medicina de New Jersey
Santiago A. Centurion, MD, é membro das seguintes sociedades médicas: Alpha Omega Alpha, American Academy of Dermatology, American Medical Association, e Sigma Xi
Editores: Zoe Diana Draelos, MD, PA, Professora Associada Clínica, Departamento de Dermatologia, Universidade Wake Forest; Professora Associada Clínica, Departamento de Dermatologia, Escola de Medicina Bowman Gray; David F. Butler, MD, Professor, Escola de Medicina da Universidade A&M Texas; Diretor, Divisão de Dermatologia, Clínica Scott and White; Christen M. Moward, MD, Professora Assistente, Departamento de Dermatologia, Centro Médico Geisinger, Escola de Medicina Estadual da Pensilvânia; Catherine Quirk, MD, Professora Assistente Clínica, Departamento de Dermatologia, Universidade Brown; e William D. James, MD, Diretor de Programas, Vice-Presidente, Professor Albert M. Kligman, Departamento de Dermatologia, Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia.

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